a) o sujeito trascende-se, sai da sua esfera e faz uma incursão na esfera do objecto, de modo a captar as suas determinações.
b) para que o sujeito tome consciência do significado dos dados recolhidos precisa de retornar à sua esfera.
c) já na sua esfera, o sujeito constrói, a partir das determinações do objecto, uma imagem do objecto ou uma representação.
ando a ler filosofias a mais, mas acho que este processo se aplica a muitos outros.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
encarnación
Mas a grande «topada sentimental de Carlos», como disse o Ega, foi quando ele, ao fim de umas férias, trouxe de Lisboa uma soberba rapariga espanhola, e a instalou numa casa ao pé de Celas. Chamava-se Encarnación. Carlos alugou-lhe ao mês uma vitória com um cavalo branco e Encarnación fanatizou Coimbra como a aparição de uma Dama das Camélias, uma flor de luxo das civilizações superiores. Pela Calçada, pela estrada da Beira, os rapazes paravam, pálidos de emoção, quando ela passava, reclinada na vitória, mostrando o sapato de cetim, um pouco da meia de seda, lânguida e desdenhosa, com um cãozinho branco no regaço.
Os poetas da Academia fizeram-lhe versos em que Encarnación foi chamada "Lirio de Israel", "Pomba da Arca", e "Nuvem da Manhã". Um estudante de Teologia, rude e sebento transmontano, quis casar com ella. Apesar das instâncias de Carlos, Encarnación recusou; e o teólogo começou a rondar Celas, com um navalhão, para «beber o sangue» ao Maia. Carlos teve de lhe dar bengaladas.
Mas a criatura, desvanecida, tornou-se intolerável, falando sem cessar de outras paixões que inspirara em Madrid e em Lisboa, do muito que lhe dera o conde de tal, o marquês sicrano, da grande posição da sua família ainda aparentada com os Medina-Coeli: os seus sapatos de cetim verde eram tão antipáticos como a sua voz estrídula: e quando tentava elevar-se às conversações que ouvia, rompia a chamar ladrões aos republicanos, a celebrar os tempos de D. Isabel, a sua gracia, o seu salero — sendo muito conservadora como todas as prostitutas. João da Ega odiava-a. E Craveiro declarou que não voltava aos Paços de Celas enquanto por lá aparecesse aquele montão de carne, pago ao arratel, como a de vaca.
Os poetas da Academia fizeram-lhe versos em que Encarnación foi chamada "Lirio de Israel", "Pomba da Arca", e "Nuvem da Manhã". Um estudante de Teologia, rude e sebento transmontano, quis casar com ella. Apesar das instâncias de Carlos, Encarnación recusou; e o teólogo começou a rondar Celas, com um navalhão, para «beber o sangue» ao Maia. Carlos teve de lhe dar bengaladas.
Mas a criatura, desvanecida, tornou-se intolerável, falando sem cessar de outras paixões que inspirara em Madrid e em Lisboa, do muito que lhe dera o conde de tal, o marquês sicrano, da grande posição da sua família ainda aparentada com os Medina-Coeli: os seus sapatos de cetim verde eram tão antipáticos como a sua voz estrídula: e quando tentava elevar-se às conversações que ouvia, rompia a chamar ladrões aos republicanos, a celebrar os tempos de D. Isabel, a sua gracia, o seu salero — sendo muito conservadora como todas as prostitutas. João da Ega odiava-a. E Craveiro declarou que não voltava aos Paços de Celas enquanto por lá aparecesse aquele montão de carne, pago ao arratel, como a de vaca.
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