Os poetas da Academia fizeram-lhe versos em que Encarnación foi chamada "Lirio de Israel", "Pomba da Arca", e "Nuvem da Manhã". Um estudante de Teologia, rude e sebento transmontano, quis casar com ella. Apesar das instâncias de Carlos, Encarnación recusou; e o teólogo começou a rondar Celas, com um navalhão, para «beber o sangue» ao Maia. Carlos teve de lhe dar bengaladas.
Mas a criatura, desvanecida, tornou-se intolerável, falando sem cessar de outras paixões que inspirara em Madrid e em Lisboa, do muito que lhe dera o conde de tal, o marquês sicrano, da grande posição da sua família ainda aparentada com os Medina-Coeli: os seus sapatos de cetim verde eram tão antipáticos como a sua voz estrídula: e quando tentava elevar-se às conversações que ouvia, rompia a chamar ladrões aos republicanos, a celebrar os tempos de D. Isabel, a sua gracia, o seu salero — sendo muito conservadora como todas as prostitutas. João da Ega odiava-a. E Craveiro declarou que não voltava aos Paços de Celas enquanto por lá aparecesse aquele montão de carne, pago ao arratel, como a de vaca.
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